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Entrar inadvertidamente numa correnteza, seja no mar ou no rio, é uma experiência angustiante, que se não houver controle emocional e uma certa destreza, pode terminar em tragédia. O abraço do afogado, é justamente quando o indivíduo desesperado, tenta se agarrar a tudo que pode, para não se afogar, inclusive naquele que vem em seu salvamento, correndo o risco de levar os dois ao fundo.

O mundo entrou numa correnteza, que está levando muitos ao afogamento, empresas desesperadas, entregam-se ao abraço de afogado, nadando contra a correnteza, deixando de perceber as possibilidades de salvamento.

Que possibilidades serão estas?

Todos fomos pegos de surpresa por esta pandemia, quem poderia imaginar que teríamos de mudar nossas vidas radicalmente? A última pandemia foi há um século, tempo suficiente para desconsiderarmos esta possibilidade de nossas vidas, e da vida de nossas empresas. Sem referenciais, costumamos relativizar as ameaças, assim como fizemos com a pandemia, fazemos com a ameaça de mudança climática.

Apesar de Bill Gates demonstrar preocupação com esta possibilidade por anos, poucos empresários a consideraram. A relativização a fez parecer um ameaça improvável e distante.

Agora, sem planos de contingência, muitas empresas estão passando por dificuldades, outras inclusive já encerram suas atividades. A crise econômica agravada pela pandemia, pegou também outras áreas, do mercado imobiliário ao turismo, inviabilizando a prestação de diversos serviços, e a venda de determinados produtos.

Quem poderia imaginar-se hoje (Junho de 2020) em uma academia fechada com ar condicionado, quando a ciência já identificou que em atividades físicas, uma pessoa contaminada pode espalhar o vírus por um raio de 10 metros? Ou então passar algumas horas dentro de um avião hermeticamente fechado? Ou ainda vestir roupas que podem ser sido experimentadas por uma pessoa contaminada?

A grande verdade é que todos entramos em um ambiente VUCA (Variável, Incerto, Complexo e Ambíguo). Não existe mais certeza alguma, e nem perspectivas claras no momento. Isto provoca um desconforto na percepção de qualquer um, que buscará desesperadamente pela normalidade, como se fosse possível termos de volta o mundo que conhecíamos no início do ano.

A única certeza que temos agora, é que a duração e intensidade desta pandemia no Brasil irão desenhar o mercado e a sociedade da pós-normalidade.

Sem querer ser o profeta do apocalipse, apenas observando estudos científicos, feitos com projeções em cima da análises de dados da pandemia, temo que a reabertura que ocorre agora (Junho de 2020), pode ter sido um grande erro, e poderá provocar mais danos a economia e à população, do que se tivéssemos um lockdown por mais dois a três meses.

É preciso ter uma grande resiliência e auto controle, para separar a leitura emocional da concreta. Pelo emocional seguimos os mesmos passos do luto: Negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. É preciso buscar dados concretos e identificar oportunidades e formas de reconstruir-se e reconstruir o seu negócio. Como o Brasil não está sujeito a catástrofes naturais, esta experiência de reconstruir-se é muito nova para todos nós.

A velocidade e intensidade de sua resiliência pode fazer a diferença na sobrevivência da sua empresa, e sua adaptação e recuperação na fase do pós-normal. Lembre-se a empresa está viva, pode estar passando por dificuldades, mas ainda é uma empresa. O normal que você conhecia não existe mais, não perca tempo e energia tentando “voltar a normalidade”, foque no pós-normal e atue nas possibilidades concretas.

Fazer esta transição para o pós-normal, não é simples, tentarei fazer o máximo de publicações a respeito, com sugestões e observações sobre cenários, possibilidades e métodos. Assim como você também estou imerso no mundo VUCA, e é assim que devemos tratar o futuro. Certamente teremos de avaliar um número significativamente maior de variáveis e cenários, e combina-los de forma compulsiva para encontrar os caminhos.

Você já pode entender um pouco mais, na Amazon existem vários títulos sobre VUCA, escolha um e prepare-se!

Enquanto você se preparar para desbravar o mundo VUCA, não deixe de fazer seu marketing, você não precisa abrir seu escritório ou loja para o cliente saber que você está vivo, ou fazer promoções mirabolantes, as demandas são outras, os clientes buscam segurança na postura da sua empresa.


João Carlos Rebello Caribé

Consultor em otimização empresarial, com foco em inovação estratégica, gestão do conhecimento, gestão de projetos e processos, e micropolítica corporativa. Professor em MBA em disciplinas das áreas de gestão Empresarial, Marketing, Logística e Recursos Humanos. Mestre em Ciência da Informação pela UFRJ (PPGCI) com o tema “Algoritmização das relações sociais, criação de crenças e construção da realidade”. Empreendedor desde o início de sua carreira, foi sócio em quatro empresas desde então. Com a chegada da Internet no Brasil no final dos anos 90, desenvolveu uma empresa revolucionária, a Flash Brasil, tornando-se referência com um modelo de negócios inovador envolvendo comunidades virtuais com milhares de profissionais. Foi conselheiro para o primeiro Conselho de Coordenação da NETmundial Initiative, junto com profissionais como Jack Ma (Alibaba), Christoph Steck (Telefonica), Penny Pritzker (Departamento de Estado Americano), James Poisant (WITSA), Lu Wei (Ministro do Ciberespaço Chinês), Jean-Jacques Subrenat (EURALO), dentre outros. Também foi membro do Comitê Executivo da NCUC na ICANN, representando a sociedade civil da América Latina e Caribe. Participa da Internet Society Brasil, Coalizão Direitos na Rede, Red Latam, Comunidade Diplo, Dynamic Coalition on Network Neutrality e Global Net Neutrality Coalition, Laboratório em Rede de Humanidades Digitais (LarHud) e Estudos Críticos em Informação, Tecnologia e Organização Social (Escritos).

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